Wednesday, January 16, 2013

Talvez o ultimo post?


Olá Família, Olá amigos, Olá Todo mundo!
Nesse exato momento em que escrevo essa carta, email, estou aqui na Cité Administrative (prefeitura) esperando para ser atendido e pedir (finalmente) a minha carteira de identidade.
Minha senha é o n¤ 701 e ainda está no 634. Affff
 Creio que vocês não saibam, mas se qualquer cidadão, seja ele da União Europeia ou não se muda para Liège, ele deve se registar e “dizer que existe, ou que está na área”. Queria ter tirado a carteira de identidade antes, mas a buRRocracia aqui às vezes é de matar. Depois de idas e vindas na prefeitura, assim como 5 idas na merda da polícia, finalmente poderei tirar a carteira de identidade.
O texto acima era para ser uma introdução, ou um lead como diriam os amigos jornalistas.
Queria primeiro pedir perdao pela excessiva demora em mandar noticias novamente. Pelo que consta no meu Gmail, o ultimo email que mandei data mais de 60 dias! Ou mais!
Também queria pedir perdão especial às tias que me escreveram e-mails ou mensagens privadas no facebook e eu não respondi.
Aproveito para agradecer e muito os parabéns dados por todos, através de todos os meios possíveis!
Não agradeci porque não agradeci ninguém.  Desculpem!! Do fundo do meu coração!
Ainda tenho que agradecer e mandar mensagens fofinhas para as pessoas que fugiram dos tradicionais Parabéns, felicidades, alegrias Mazal  Tov, saúde, paz e bla bla bla! Não sou sem coração, mas nessa era de FB, em que escrever um cartão tornou-se simplesmente “escrever na wall/mural”, tenho dúvidas dos sentimentos sinceros e que sejam verdadeiramente verdadeiros (prolixidade necessária). Por isso que é tão bom receber mensagens que passem dos dizeres acima, que apesar de algumas vezes poderem ser sinceros, na grande maioria não são mais do que mensagens automáticas, de um simples control c,control v, de algo realmente sem graça!
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Passado o momento de pardon, vamos ao que interessa!
Pois bem, creio que fiz bastante(s) coisa nesses últimos 60 dias. Tenho viajado e tenho gostado das minhas viagens. Vocês podem ver os álbuns com fotos dos lugares no meu Facebook. Se não tiverem FB, peçam para o pai, amigo, primo, sobrinho mostrar a vocês. Cada cidade foi diferente!
Já já volto(primeira dezena de fevereiro)  e a sensação que fica é que talvez pudesse ter aproveitado mais. Mas por vezes não seria essa  a nossa eterna sensação, de que sempre poderíamos ter feito mais, trabalhado mais, viajado mais, estudo mais, namorado mais, mais, mais, mais? Provável que sim. Mas como sabermos se aproveitamos o bastante  e não ficarmos nos remoendo por horas a fio? Não sei, não tenho ideia. Mas me parece que enquanto estamos vivendo a situação, fica um tanto quanto difícil de  de distinguir o que foi bom do ruim. E do péssimo, e do ótimo também! Pelo menos foi assim com Israel. Durante todo o programa eu pensei que não tivesse aproveitado e aprendido nada. E como me angustiei com isso. Mas depois que voltei percebi que apesar de não terem sido só flores os tempos por lá, eles foram em demasia valorosos.
Mas pensando melhor, quiçá o que aconteça conosco, ou pelo menos comigo, é que constantemente nos desafiamos e colocamos novas barreiras a serem ultrapassadas, cada vez mais altas e quando olhamos para trás achamos tudo fácil e sem graça. O problema é que só olhamos para frente e vemos desafios cada vez maiores. Mas o que não pensamos ou lembramos é que passamos  por dificuldades enormes para chegarmos onde estamos. Batalhamos cada dia para que sejamos melhores. E melhores em todos os sentidos. A cada dia descobrimos uma falha, um defeito que precisa ser melhorado
Feliz ou infelizmente temos  o  (in)feliz costume de traçar metas no ano novo. Mas me pergunto para que diabos. Para que raio de diabos temos que esperar o ano novo?  Permito-me aqui postar um poema de Drummond que reflete bem o que penso de promessas de ano novo e promessas em geral
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RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.
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As provas finais tem chegado ao seu quase fim. As saudades são grandes.
Se tiverem mais perguntas, por favor, me perguntem..